05 fevereiro, 2015

Fim de um projecto, princípio de outro




Também este blogue se cumpriu ... o Poema Plural, prenhe de belíssimos poemas,
exercícios vários e felicíssimas experiências com imagens, nasceu,
cresceu, tornou-se adulto e, um dia, também ele, resolveu partir.
Não seria, porém, justo que todos estes textos deixassem de ser lidos
ou não dessem lugar a outros.
Por isso, novos percursos, igualmente caminháveis, abrem-se. 
Basta seguir este novo link:

TEIA


Até lá!



23 dezembro, 2010

replicação





estou só.
vejo
os pratos de velhoses
outros de broas, travessas
à espera do bacalhau
copos para água para branco
outros para o tinto
e tantos mais para espumante
bruto
estou só.
vejo
milhões de velas
centros vermelhos
enlaçados em pinhas
fitas douradas
recobros de humanas vidas, duras vidas
pérolas
douradas pelas toalhas
espalham o brilho
que os dias de hoje não têm.
estou só.
vejo pendurar enfeites
anjos, luzes, faixas e
esperança
cuidadosamente
pendentes
nestes dias.
.
.
.
estou só no mundo
das maravilhas feitas em série
estou só na vereda
dos mercados do roubo anónimo
estou só no outono
onde a neve se vende em pó
porque trenó e renas
ficaram retidas no aeroporto.
.
.
.
estou só
sozinho neste mundo
eu e os meus.
Salvé o burrinho, a vaquinha
José, os Pastores!
Salvé Maria! Avé Maria
que me acompanham
desde sempre
no meu nascer
neste acre mundo
onde
ainda
continuo só.
.
.
.
maria toscano
Coimbra, Pastelaria Flor da Conchada.
22 Dezembro / 2010



12 outubro, 2010

"CHAMO-ME SATIE COMO TODA A GENTE"

( clique na imagem para aumentar )



A Amalgama abre um novo Espaço de Programação em Lisboa_uma parceria com o Teatro Gota.

Contamos com a tua presença na Inauguração com


“CHAMO-ME SATIE, COMO TODA A GENTE”

OU

TERNAMENTE AS TECLAS BRANCAS

A escritora Risoleta C. Pinto Pedro
em parceria com a

amalgama Companhia de Dança
apresentam nova criação em AnteEstreia


Um espectáculo de cruzamento pluridisciplinar entre a música de Satie, textos das suas partituras, com variações escritas e interpretadas pela escritora Risoleta C. Pinto Pedro, na dança de Alexandra Battaglia, com variações para piano de Gabriel Mateus Fotografia e Vídeo de Alexandre Ixhumni e Figurinos de João Pereira.

Especial agradecimento ao Ceramista Fernando Sarmento.



Sábado, 16 Out’10 às 21:30h

Teatro Gota

Calçada do Correio Velho, 14-16 – 1100-171 Lisboa (junto à Sé)



Nos dias de espectáculo bilhetes disponíveis na Bilheteira do Teatro Gota 1hora antes do espectáculo.
Preços:
Crianças 0-3 anos - gratuito
Dos 4-12 anos – 4,00€
A partir dos 13 anos – 7,50€

Lançamento da Arte-Livros ,São Paulo


Arte-Livros Editora

e os professores organizadores da série

LÍNGUA, CULTURA E LITERATURA,
Ana Haddad, Maurício Silva e Márcia Fusaro


CONVIDAM
para o lançamento conjunto dos livros:



Edgar Allan Poe e a Escritura dos espelhos – Lucia Santaella

Vinhetas – Leda Tenório da Motta

Quem, às portas de Tebas? – Maria Estela Guedes
Giorgos Seféris: mar, mares, memórias... – Ana Maria Haddad Baptista

Mares nunca dantes navegados – Maurício Silva

Tradução, enunciação e subjetividade – Murilo Jardelino da Costa

Percepção da natureza e do espaço habitado brasílicos na literatura de viagem – Paulo de Assunção

Recontando Clarice Lispector – Márcia do Carmo Felismino Fusaro

Aquisição e Aprendizagem da Língua Inglesa – Magali Rosa de Sant´Anna


Local
CASA DE PORTUGAL
Endereço: Av. da Liberdade, 602
SÃO PAULO SP - BRASIL
Dia: 27/10/2010 – Horário: das 19h às 22h

Apoio
Casa de Portugal de São Paulo
Apenas Livros, Lisboa

25 setembro, 2010

Para Carolina Beatriz Ângelo*

Carolina Beatriz Ângelo (1878-1911), uma das primeiras médicas portuguesas e uma das impulsionadoras do Movimento Feminista, foi a primeira que praticou cirurgia e a primeira mulher a votar em Portugal. O novo Hospital de Loures vai ter o seu nome. Aqui fica a minha homenagem.





Nada vou dizer das tuas mãos, Carolina,
nem das bandeiras que ascendem nos gestos
em que a decisão é uma faca cirúrgica
a preceder a noite, o ser, a jangada ilesa,
a ousadia de um voto.
Lutaste.
Contra as serpentes vazias, acorrentadas
no país das sombras.
Combateste. Por ti, pela luz, pelo corpo íntegro,
juntando, uma a uma, as letras do universo
que encerra a palavra MULHER.

Talvez não soubesses que a vida é a palavra
com que a poesia define a flor das algas.
Talvez não soubesse que o amor é uma lua
vermelha, a morte uma cisterna salgada,
mas sabias que, em teus braços,
havia uma pluma leve,
no teu peito, uma ave canora,
e, nos teus olhos, uma rosa incendiada.

Nada, pois, vou dizer das tuas mãos,
Carolina,
nem da liberdade que flutua nos teus dedos.
Da noite, fizeste dia, à raiz, deste futuro.
Não mais, em casa, sufoca a génese
de fêmeas entranhas que gera sementes
maduras.

O vento consigo traz um cemitério de palavras.
Na tua boca, cada pedra é um dilúvio,
onde terminam velhas guerras.

Quando as novas rotinas se instalam,
dourado é o útero da terra.
Nas casas, nas ruas, nos sofridos hospitais,
o espaço, outrora interdito,
engendra novas quimeras.

Nada vou dizer de ti, Carolina,
nem do silêncio que urge,
quando as fontes são bandeiras,
onde brilham o sangue e a seda,
em becos, outrora escondidos,
com janelas para a rua.

Nada vou dizer de ti, Carolina, porque o sol
te pronuncia,
desde os tempos mais agrestes.
Os fluidos do mar ecoam em tuas essências
brancas de gardénias e violeta.
A noite é todo o corpo, dizes,
até que uma lâmpada secreta e pura
tudo venha iluminar.
A noite é mais que o leite que os mamilos
bebem, de manhã.
A noite é mais que o redondel de exílio
que os homens conceberam.

E bebo, com temor, o medo que ainda vivem
as mulheres de agora, pisadas, maltratadas.
Usam burka, no Afgnanistão,
sem direitos, nem auxílio.
Suicidam-se pelo fogo.
Queimam, numa agonia atroz,
o desespero que as corrói,
na sua pátria de exílio.
Pelo pesadelo morrem, sem ter o direito
à face, ao corpo, nem aos poros arejados
que é preciso libertar,
na noite, carrossel de exílio,
na morte, jardim de delírio,
no mundo onde os serem temem viver
o coração é cinza negra
que não os deixa despertar.

Por isso, é na sombra, que os poemas
se escrevem,
nos muros, nas fendas, onde as rosas
se insinuam em dolorosas flores de papel,
em ecos a lembrar ritos, sendas, laços,
rios que inundam o sangue,
nós que alimentam e enlaçam.

Como lembrar-te, mulher, política,
cirurgiã?
Como dizer-te, pomba, gladíolo,
vislumbre de luz, em jardim secreto?
O canto é novo, sempre novo.
Por ele vivo.
A ele respondo.
As águas escrevem-me,
quando as aves flutuam na manhã.



Maria do Sameiro Barroso


_____________________________________________

* ( Nas Comemorações do Centenário da República ) - Poema publicado no catálogo da Exposição de Homenagem a Carolina Beatriz Ângelo, Intersecções dos sentidos, palavras, actos e imagens, Organização Dulce Helena Pires Borges, Museu da Guarda, 2010, p. 45. O poema foi precedido de um estudo de nossa autoria, intitulado Prolapsos Genitais — a Tese de Carolina, pp. 42-44.

07 agosto, 2010

01 agosto, 2010

IV Bienal de Poesia de SILVES - 11




Apresentação da Antologia da Poesia Portuguesa do séc. XIII ao séc. XXI.
Selecção de Jorge Reis-Sá e Rui Lage.

Leitura de poemas pelos alunos da Escola Secundária de Silves.
Mesa Redonda "O Tempo no tempo do Poema"

28 julho, 2010

25 julho, 2010

IV Bienal de poesia de SILVES - 10




Performance Ocasional
" Os Lobos" de Maria Toscano

17 julho, 2010

territórios

.
não tirei bilhete para a mesquinhez.
.
.
.
por isso
rio alto
falo alto
e
ocupo
o espaço
necessário
à minha
robustez.

.
.
.
maria toscano In "sulmoura"
Lisboa, Cervejaria Trindade.
16julho/2010.
.

IV Bienal de Poesia de SILVES - 9





Mesa Redonda "Ritmos e imagens criadas a partir de palavras escritas"
Intervenientes: Bruno Santos, Teresa Tudela, Jorge Velhote, Maria Estela Guedes, Rita Grácio, José Ribeiro Marto, Torquato da Luz. Moderador: Silvestre Raposo.

Homenagem a Pedro Tamen.
Conferência por Maria Sameiro Barroso. Leitura de poemas por Paulo Moreira.

07 julho, 2010

tardes de verão


Photobucket




As tardes quentes de verão repousam em árvores
que fazem sombra ao terraço.
Silenciosas, são lugares de memórias;
aqui sentada, como se pudesse salvar o meu próprio coração
contemplo a solidão da gata escondida entre dois vasos.
O voo da borboleta geometriza o espaço,
não se ouve mais nada.

Meu pai,que se foi embora,teria regressado com dois lagos nos olhos.





maria azenha



04 julho, 2010

Prémio MAC`2010 Hilário Teixeira Lopes - Maria João Franco

Destinado a distinguir o artista cuja obra se insira num campo de intervenções exemplares, ao nível da qualidade e inovação, destacando-se pela excelência da criação artística, o Prémio MAC`Hilário Teixeira Lopes já se tornou familiar e muito ambicionado nesta festa.
Este ano, todos os artistas que expuseram individualmente no MAC estiveram sujeitos à avaliação do Mestre, mas só um pôde alcançar tão nobre distinção. Passamos então a palavra ao Mestre Hilário Teixeira Lopes que irá proceder à entrega do Prémio homónimo.



MAC'2010 Colaboração e Divulgação Cultural
MARIA JOÃO FRANCO



Merece-nos especial destaque o MAC'2010 Colaboração e Divulgação Cultural, atribuído, este ano, a uma personalidade multifacetada, que alia às inúmeras funções que desempenha enquanto pintora, poeta, crítica e ensaísta, uma disponibilidade incansável para nos auxiliar em inúmeras tarefas de divulgação e promoção cultural: MARIA JOÃO FRANCO.

ver mais em MAC - Movimento de Arte Contemporânea


in Maria João Franco - Artes Plásticas .Poemas

03 julho, 2010

IV Bienal de Poesia de SILVES - 8





Projecto Dansul, Leitura de Poesia e Dança do Crescente, Al-Mu'tamid e Ibn 'Ammar
(excertos de poemas)